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segunda-feira, 31 de maio de 2010

Nicolas Krassik no Sesc Consolação


Imagine dois cenários: Primeiro o som delicado de um violino, agora o ritmo forte do batuque nordestino. Imaginou? 

Então imagine misturar os dois. Não dá? Então ouça!


Nicolas Krassik e o grupo Cordestinos misturam os dois e fazem uma música envolvente e surpreendente. Hoje eles se encontram novamente, em apresentação gratuita, no Sesc Consolação as 19h.

Krassik, 39, é francês, e teve formação erudita. Em 2001 veio visitar o Brasil, se identificou tanto com a nossa cultura - sobretudo a nordestina - e decidiu ficar por aqui. Segundo o site Nordeste Web, voltou para Paris, vendeu tudo o que tinha - casa, carro, enfim - e veio para as terras tupiniquins apenas com uma mala de roupas, seu violino e um laptop. 

Instalou-se no Rio, e logo se entrosou no meio artístico, participando de disco e turnês de alguns dos mais conhecidos artistas do País: Yamandú Costa, Beth Carvalho, Marisa Monte, Carlos Malta, Hamilton de Holanda, Zé da Velha, Silvério Pontes. 

Veja o vídeo de Nicolas Krassik tocando com Yamandu Costa e Guto Wirtti



confira o myspace do artista: http://www.myspace.com/nkrassik


Serviço

Endereço: R. Dr. Vila Nova, 245, Vila Buarque (região central)
Retirar ingresso com 1h de antecedencia.
Tel: 3234-3000

sábado, 29 de maio de 2010

Novos ricos chegam ao Tatuapé mudando a dinâmica do bairro - Diretriz

Giovana Torres Pessoa

Região ganha nova infra-estrutura, grandes lojas e supermercados, mas moradores reclamam da descaracterização do bairro.

O Tatuapé, na zona leste, já não é mais aquele bairro tranquilo, com ar de interior, de anos atrás. O novo “boom” imobiliário na região, com empreendimentos de médio e alto padrão em torno do Jardim Anália Franco, o tornou uma das regiões mais valorizados da cidade de São Paulo. De acordo com o Conselho Regional de Corretores de Imóveis (CRECI) trata-se de uma “zona de valor A”, o que a coloca no mesmo nível de Moema, Higienópolis e Jardim América.

Isso seria muito bom para os moradores do bairro se o crescimento tivesse ocorrido de forma de ordenada. Moradores se queixam do excesso de obras, trânsito, barulho e a substituição das antigas vendinhas por megastores. “A dinâmica do bairro mudou. Antigamente a gente fazia compra na mercearia da esquina. Hoje elas mal existem e o que resta fazer é ir até o hipermercado que ocupa quase um quarteirão inteiro e ficar mais ou menos 1h na fila do caixa”, reclama Regiane Silvestre, 47, residente do bairro desde que nasceu. Dona Eulália, que prefere não ser identificada nem revelar a idade, queixa-se do transtorno de tantas obras ao mesmo tempo. “Ao redor do meu prédio estão construindo mais sete condomínios. É barulho de obra da hora em que eu acordo até hora em que eu chego em casa. Nem de final de semana da sossego!”, desabafa.

A nova burguesia trouxe com ela obras de infra-estrutura, com as quais os antigos moradores do bairro, acostumados a uma vida pacata, nunca haviam sonhado. O bairro só começou a receber atenção e obras públicas depois que os novos ricos chegaram. O arquiteto e pesquisador Paulo Ricardo Jaquinto, professor de arquitetura do Mackenzie, estuda a fundo os efeitos da urbanização sentidos pelos moradores e, segundo ele, o desenvolvimento acelerado no Tatuapé segue o modelo típico de metrópoles de terceiro mundo, onde um quarto da população vive em condições de primeiro mundo e três quartos em condições de quarto mundo.

“Antes os novos ricos procuravam se mudar para o centro da cidade, e proximidades, que são as áreas nobres mais tradicionais, diz Giaquinto. Porém, na região do Tatuapé é possível observar um movimento oposto a isso. Os novos ricos da região da zona leste preferiram continuar na região a se mudar para a zona oeste e/ou central e, dessa maneira, fazem pressão para melhorias na infra-estrutura”.

“Aquele pedaço [Jardim Anália Franco] não valia nada até construírem o metrô. A hora que construíram o metrô, aqueles terrenos se valorizaram. Ganhou-se muito dinheiro com a implantação de um sistema de transporte rápido no local, o que contribuiu para a verticalização desses terrenos”, comenta o urbanista.

“O bairro quase não tem mais casa, agora é só prédio, prédio, prédio. A minha casa eu não vendo pra construtora nenhuma. Moro aqui há quase 50 anos e tenho minha pracinha para cuidar”, afirma D. Joceline, que mora em uma das poucas casas que ainda restam de um quarteirão que foi posto a baixo para a construção de um condomínio com quatro blocos.

O transito do bairro é caótico, principalmente das 17h às 19h, quando os moradores começam a voltar para suas casas. Buzinas e ofensas em cada esquina. Um dos principais problemas nas ruas do Tatuapé é a falta de semáforos em cruzamentos muito movimentados e os microônibus que trafegam em ruas muito estreitas, dificultado a passagem de outros carros. “Sinto falta de sair de casa e não ter que ficar preso no trânsito para comprar pão”, diz José Carlos, 55, morador do Tatuapé a mais de 40 anos.

Quando perguntamos o que poderia ser feito para amenizar a situação do trânsito e a falta de estrutura nessa região Giaquinto aponta a necessidade de investimentos em transporte coletivo, em alternativas para o transporte de carga e mudanças no transporte individual. “Quando se fala da estrutura da cidade tem de se pensar que as coisas não são assim por acaso, elas são assim porque a sociedade pressiona para seja dessa forma”, explica.

Para ele não se trata de um simples problema na infraestrutura das cidades, mas na estrutura da própria sociedade. “Tirando Brasilia e Curitiba eu acredito que São Paulo é uma das cidades mais planejadas do Brasil. Porém é uma cidade planejada para poucos”, diz Giaquinto. “São Paulo é planejada milimetricamente para enriquecer mais ainda os ricos e os ricos terem o bem estar garantido”.

Segundo ele, esse tipo de planejamento procura atender, em ordem de importância, o bem estar da população rica, o desenvolvimento do mercado imobiliário e por último a tentativa de tornar a cidade eficiente. “É uma cidade que dá muito lucro para o capitalista que investe pesado, e a infraestrutura acompanha essa burguesia”, salienta Giaquinto.

Essa matéria  que será publicada no Diretriz de Junho.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Jazz Sinfônica hoje e amanhã no Ibirapuera.

Jazz Sinfônica (site) marca presença no auditório do Ibirapuera hoje (28) e amanhã (29), apresentação faz parte dasérie "Jazz+", que traz o músico e compositor cubano Paquito D'Rivera com seu som atraente.

A descrição que o blogueiro Sérgio coloca em seu blog é no mínimo curiosa, mas vale a pena ressaltar aqui: "Esse D'Rivera é um cubano arretado! O álbum em questão, daqueles que pega a gente como fôssemos o beque recuado, desprevenido diante de uma trama envolvente de ataque - num bote!". (Obs.não recomendo muito o link que ele coloca na postagem, mas o texto sobre o trabalho de D'Rivera é interessante)

A divulgação informou que além de tocarem clássicos do Jazz e da MPB, o músico e compositor de jazz cubano nos mostrará uma de suas composições mais ambiciosas e recentes: "Conversas com Cachao", um concerto para sax tenor, contrabaixo e orquestra, escrito em homenagem ao contrabaxista cubano Israel "Cachao" López - amigo e ídolo de Paquito.

Veja um pouquinho do trabalho de paquito:



O D'Rivera traz, como bem colocado no site do auditório, "um jazz latino baseado nas raízes afro-cubanas cuja intensidade sonora extrapola os limites da ilha e encanta os quatro cantos do mundo".

Dias: 28, 29 de Maio de 2010

Horários: Sexta, 21h Sábado, 21h
Duração: 90 min (aproximadamente)
Ingressos: R$ 30,00 e R$ 15,00 (meia-entrada)
Gênero: Jazz
Classificação Indicativa: Livre para todos os públicos

domingo, 23 de maio de 2010

Coro Sinfônico de Piracicaba!!!

Levy, cantor do coro de piracicaba e grande amigo, me pediu para divulgar o seguinte:

Até o ano passado era o coro sinfônico da escola de música de Piracicaba, do renomado maestro e compositor Ernest Mahle, mas a partir deste ano, o coro se desligou da escola de música e passou a se chamar apenas coro de câmara de Piracicaba.

O vídeo, a seguir, é um trechinho do trabalho que eles desenvolvem, onde as solistas Raíssa e Graziele fazem um dueto barroco:


Ernest Mahle foi um compositor e maestro alemão, naturalizado brasileiro. Chegou ao Brasil em 1951, e aqui, desenvolveu um extenso trabalho em favor da juventude e recebeu o título de cidadão piracicabano, pois foi a cidade onde ele se instalou e desenvolveu seu trabalho. Foi co-fundador da Escola de Música de Piracicaba, onde até hoje da aulas e rege a orquestra de Câmara e Sinfônica da região.

Veja uma das obras dele. Concertino para piano e orquestra, de 1974.





Sobre a música coral eu penso que seja uma das "modalidades" musicais mais fascinantes. Fazem um trabalho com vozes de todos os timbres possíveis e imagináveis numa combinação deliciosa aos ouvidos.  

Na cultura ocidental a música coral é formada por basicamente quatro naipes: Baixos, Tenores, Contraltos e Sopranos; incluindo, algumas vezes, também as vozes intermédias como Barítono e Mezzo-soprano. Essa divisão é feita basicamente de acordo com o timbre e a tecitura. 

Existem também coros no Brasil que buscam fugir um pouco dessa sonoridade ao qual estamos acostumados. É o caso do Coro Luther King (que também cheguei a fazer parte por um tempo) que diversas vezes interpreta e explora a sonoridade das músicas africanas e indígenas. O maestro, Martinho Lutero, tem uma vasta experiência em cantos africanos, até porque foi para lá estudar essa sonoridade tão peculiar. É bem interessante o trabalho que ele desenvolve, tanto no Luther King (Em São Paulo) quanto no coro Canto Sospeso (Em Milão).

Hoje, ( 24/05/2010) Vi um texto que saiu sábado no Estadão, mais precisamente no Caderno 2, e queria comentar. O jornal convidou um regente para ir a um show de punk ruck e um integrante do movimento punk para assistir a uma apresentação de uma orquestra. O punk faz o seguinte comentário: "Fiquei surpreso  como os sons fluem de instrumentos tão diferentes, mas que juntos se harmonizam. Eles criam uma atmosfera mágica, vinda suave pelos instrumentos de sopro, de harpas ou selvagens, com tambores trovoando e violinos rasgando o ar". É muito bacana essa descrição.
obs. Timbre é a identidade da voz, o jeito, se é mais clara ou escura, se é mais metálica ou não, etc. Vou procurar uma definição mais clara. Mas seria como uma impressão digital, cada pessoa tem a sua. É o que faz você reconhecer a pessoa só de ouvir sua voz. Ou no caso de um instrumento o que faz você diferenciar um piano de um violão ainda que estejam tocando a mesma nota.
Tecitura é a "quantidade" de notas que a pessoa alcança, de que nota à que nota. Isso pode ser trabalhado com técnicas vocais para aumentar essa abertura.

Acho que é mais ou menos isso. Vou dar uma pesquisada e se eu achar alguma explicação melhor atualizo esta postagem.

sábado, 22 de maio de 2010

Concerto da OSSA hoje no Teatro Municipal

O maestro Carlos Moreno apresenta outro concerto hoje às 20h, no Teatro Municipal de Santo André, praça IV Centenário s/n° - centro. Entrada franca.

O programa inclui obras da série Anchieta: Russlan e Ludmilla de Glinka, Concerto para piano e orquestra n°19 (em fá maior) K 459, de Mozart, e sinfonia n°5 (em Dó maior) op.67, de Bethoven, segundo o material de divulgação. A solista convidada será Márcia Cattaruzzi.

De volta às origens, pois a pianista é andreense, é fará belíssima participação, ja que a peça que irá tocar será nada menos que Concerto Para Piano e Orquestra nº 19, em fá maior, K 459, de Wolfgang Amadeus Mozart. Reconhecida mundialmente e, segundo o site da Art Invest, é ganhadora de importantes concursos como o de solista da OSESP e e da Arizona State University Symphony Orchestra, e ao que me parece, lhe rendeu uma bolsa de estudos para o mestrado nos Estados Unidos.




O Diário do grande ABC revela que será a primeira vez em muito tempo que a pianista sobe ao palco do teatro da cidade. A última vez, segundo o jornal, foi quando era criança, depois de ser vencedora de concursos de música locais.
 

lembre-se de pegar os ingressos com uma hora de antecedência. 

dúvidas? Ligue para o teatro: 4433-0789

Mais sobre a OSSA neste blog:

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Hoje (sexta feira) São Paulo vai parar para ver o show de uma das bandas do cenário grunge de Seatle: Mudhoney! O show será no Clash Club (barra funda) e é uma escapadinha da programação da virada cultural paulista que oferece shows gratuitos pelo interior de São Paulo. A banda vai se apresentar também em Mogi das Cruzes e São José do Rio Preto.

As apresentações prometem seus maiores hits distribuídos pelos seus 10 álbuns de estúdio. O quarteto Mark Arm (voz e guitarra), Steve Turner (guitarra), Guy Maddison (baixo) e Dan Peters (bateria), estão juntos há 20 anos e foi uns dos fundadores do movimento Grunge em Seatle, ao lado de bandas como o Pearl Jam.
Quem terá a honra de abrir o show dos caras é a banda Vespas Mandarinas ( http://www.myspace.com/vespasmandarinas ), que contam com a presença de Chuck Hipolitho, ex-Forgotten Boys e Mauro Motoki é compositor e guitarrista da banda Ludov.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Entrevista completa com Irineu Franco Perpétuo, feita no último final de semana, após concerto da Camerata Ensemble no CCSP


Depois do belíssimo concerto da Camerata Ensemble, criei coragem e fui tentar uma conversa com o Jornalista Irineu Franco Perpétuo. A maior parte do público já havia ido embora, os músicos começavam a organizar suas coisas. Eu, então, comecei a me dirigir para o palco – extremamente nervosa, pois não sabia como os músicos iriam reagir, se o Perpetuo aceitaria dar a entrevista e se era permitido subir ali, sem ter perguntado a ninguém se poderia. Fui, cumprimentei o baixista, um tanto gaga. Dei-lhe os parabéns. Ele perguntou se eu também tocava, e eu respondi: “Contra-baixo eu nunca toquei, mas por um bom tempo toquei violoncelo”, e depois completei, um tanto insegura e um pouco baixinho, “na verdade gostaria de pegar uma entrevista com o pessoal”. Depois de dizer isso, quase desisti. Então pensei, eu já estou aqui, vou até o fim.

Em seguida avistei o Homem, que não estava longe, mas com o nervosismo nem tinha visto direito. Me aproximei e disse: “Oi, tudo bem. Eu sou estudante de jornalismo e queria pegar uma entrevista com o senhor, pode ser?”. Ele prontamente respondeu que sim, pediu que eu não o chamasse de senhor e falou para eu mandar as perguntas. Eu o puxei para a luz, pois ali não conseguia ler minhas perguntas improvisadas sobre os espaços em branco do programa. Apesar de em alguns momentos ter gaguejado e deixado escapar alguns “senhor”, consegui fazer uma bela entrevista.

Tenho que agradecer por ele ter sido tão acessível e receptível à minha entrevista. Uma figura bastante simpática e com muito à ensinar para mim, tanto sobre música quanto sobre jornalismo.

Foram 8 minutos de uma deliciosa entrevista, que realmente valeu a pena ter feito.

Irineu, como o senhor começou sua carreira e veio a se tornar um dos grandes nomes do jornalismo quando o assunto é música clássica?

Eu comecei como jornalista, na época de faculdade ainda, trabalhei numa fm que tocava música pop, a Jovem Pam. E na época, até o Emilio Zurita, do pânico, era locutor. Faz um bom tempo. Mas depois desse emprego eu fiz o trenee da folha de S.Paulo e fui trabalhar na redação do jornal. Acabei trabalhando no Acontece, que era roteiro da ilustrada – não existia o guia da folha. E escrevendo algumas matérias para a ilustrada acabei, completamente por acaso, me especializando em música clássica.

Para você ter uma ideia, o treinee da folha era um programa que era sempre direcionado para alguma área, e eu fiz treinee para jornalista esportivo. Uma área que não tem absolutamente nada a ver com a área que eu fui me especializar. O que mostra que na vida, como no jornalismo, é tudo muito aleatório, a gente não escolhe muita coisa. (ri)

Como está cenário da música erudita, tanto no Brasil quanto no exterior, atualmente?

Para música de concerto eu creio que nos últimos 10 anos, um pouco mais do que isso, a gente está num circulo virtuoso aqui no Brasil. Num circulo de crescimento de investimentos e de ampliação de público. Acredito que o fenômeno “detonador” disso foi tudo que aconteceu na Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, que existia desde a década de 1970, mas em 1990, se fez a Sala São Paulo. Houve um investimento muito importante nessa orquestra. E ai ganhou visibilidade, atraiu mais público e teve uma série de investimentos análogos, mais ou menos na mesma época.

Em Manaus, o teatro que existe desde o século XIX, mas nessa época o teatro começou a receber investimentos para que tivesse uma atividade regular, foi criado uma orquestra e um festival regular lá. E, desde então, as orquestras brasileiras, mesmo as que já existiam, resolveram tentar criar esquemas profissionais para se parecerem – dentro da sua realidade –semelhantes à OSESP. Então a gente vê, que por muito tempo o nordeste ficou sem orquestra regular, e agora no Sergipe temos uma orquestra bem bacana. Em Minas Gerais, a Filarmônica, que existe há dois anos, teve um salto de qualidade muito grande. A Sinfônica Brasileira do Rio de Janeiro, que tem 70 anos, nesses últimos quatro resolveu reinvestir, voltar a querer ser grande.

Então, para a música de concerto especificamente, que é uma atividade de público minoritário, esse público parece que está crescendo e estão aumentando os investimentos nessa área. Então é possível ser otimista com isso no Brasil, hoje.

Podemos dizer que está em plena expansão no momento?

Está em expansão, claro que ainda é pequenininho, mas o que antes era minúsculo agora não está tão minúsculo. Está crescendo sim, mas dentro de suas possibilidades. Não vai passar nunca passar por cima da Cláudia Leite, etc. Dentro do que ele pode ser ainda dá para crescer ainda mais.

De que maneira as novas tecnologias estão refletindo no cenário musical hoje?

Nada mais benéfico que as novas tecnologias para a arte e cultura em geral. Estamos numa época em que estamos próximos ao limiar de ver todo o acervo cultural e simbólico da humanidade digitalizado, portanto disponível digitalmente na Internet. Isso é maravilhoso para todo mundo, especialmente para o criador. E na música, diminuiu o custo de gravação, o custo e a dificuldade de distribuição e a divulgação do trabalho. Então hoje está em crise, está em cheque, e nunca mais será o mesmo, aquele modelo Madior My BroadCast (que quer dizer que cinco diretores de gravadoras se reúnem, pagam jabá para dez diretores de programas de rádio e de TV e decidem que só aquilo é que vai tocar e ser conhecido). Este “esquemão” ainda existe, mas ele está em erosão – Felizmente – devido ao avanço das tecnologias que permitem a troca e compartilhamento cada vez mais rápido de arquivos. Nos temos que festejar e saludar o fim da industria da intermediação; o fracasso da industria fonográfica; e o afloramento do novo jeito de se comunicar entre os músicos e dos músicos com seu público.

Quais os novos desafios que essas mudanças tecnológicas, novas comunicações e mudanças nos modelos de negócios trazem a tona?

O principal desafio é a gente impedir e bloquear a industria que quer criar barreiras artificiais de mediação entre você e o artista, quando essa barreira, tecnologicamente, não existe mais. Eles querem ser os bilheteiros desse “museu imaginário” que está feito na Internet e querem cobrar muito caro por esse bilhete. Isso é inaceitável. O desafio e a gente evitar esse controle artificial que quer ser imposto. E no Brasil, tem um exemplo recente que é o projeto de lei do senador Eduardo Azeredo, que nós chamamos de “Hi5 digital”, esse projeto é absolutamente inaceitável, e deseja coibir as práticas de trocas de arquivo e bloquear aquilo que a Internet tem de melhor. Então é realmente um desafio impedir que a velha industria, que felizmente está morrendo, queira renascer por meio de uma legislação que completamente arcaica, nociva e autoritária.

Quais os maiores nomes dos compositores, ou interpretes, contemporâneos?

Olha, na música contemporânea, a coisa entre compositor e interprete tem uma diferença bastante grande. Inclusive, o circuito de musica contemporânea é, para a música erudita, mais ou menos o que as bandas de garagem são para o pop. É um circuito quase a parte, é muito difícil você transbordar os compositores contemporâneos e coloca-los na vida regular musical. Normalmente um circuito é contemporâneo e o outro é um circuito Manstrin em que toca Bach, Beethoven, Brahms, Mozart.

Na criação contemporânea a gente tem grandes nomes tanto no Brasil quanto fora. Eu considero grandes compositores o Almeida Prado, também o Marlos Nobre. E ai você tem compositores um pouco mais jovens como Hery Crow, André Memário. Tem muita gente produzindo musicas bastante interessantes e, ao mesmo tempo, muito diferentes de um para o outro. Não tem uma corrente estética hegemônica. Isso é um reflexo também do que acontece la fora, e me parece ser um traço irreversível da pós modernidade. Não vai existir uma corrente estética determinando, sempre o criador vai tentar buscar essa linguagem individual e por meio dela ser reconhecido.

Quais outros músicos poderia citar? Alguma dica para o leitor que quer conhecer mais sobre música?

A dica, hoje com a Internet, sempre é que, bom hoje não temos desculpa para ser ignorante. Isso vale para todo mundo, para o jornalista vale mais. Em termos de música, você dá um clique no YouTube, MySpace, no site do “cara”, da um clique no google, enfim um nome que você vê que você não conhecia você procura e vê como é o cara, como é a música, etc e tal. Essa é a principal dica, usar o meio digital a nosso favor.

E quando às suas expectativas para os próximos anos?

Espero que as tendências positivas se aprofundem e, especialmente a gente consiga derrotar os “Eduardos Azeredos” e os “hi5 digitais”, e continue desfrutando de todos os benefícios que a tecnologia oferece para as artes e para o conhecimento.